Eu tinha seis anos de idade e já sonhava com a África. Lembro de me imaginar dançando com guerreiros africanos em tribos massais por meio dos meus livros de fantasia. Aos poucos, não só os guerreiros massais, mas também as crianças africanas, de sorrisos largos e olhos redondos, despertavam em mim um desejo incontrolável de partir para o continente esquecido, guiada apenas por meus sonhos de infância.
Para a maioria das pessoas, eu era uma lunática, iludida por sonhos grandes demais para alguém do meu tamanho. Só fui descobrir mais tarde que, maior do que os meus sonhos, era a minha força. E depois de muito lutar, eu estava realizando o maior sonho da minha vida ao pisar no continente dos personagens dos meus contos de fantasia.
Primeira parada: Joanesburgo, África do Sul. Eu estava sozinha, cansada, perdida em meio à tantas novidades naquele aeroporto estampado de riquezas culturais e materiais. Ainda assim, apesar de todo o cansaço, o sorriso permaneceu estampado no meu rosto como se eu estivesse enfeitiçada por alguma magia. Eu vibrava por dentro e era como se fogos de artifícios estourassem dentro do meu coração.
Primeira parada: Joanesburgo, África do Sul. Eu estava sozinha, cansada, perdida em meio à tantas novidades naquele aeroporto estampado de riquezas culturais e materiais. Ainda assim, apesar de todo o cansaço, o sorriso permaneceu estampado no meu rosto como se eu estivesse enfeitiçada por alguma magia. Eu vibrava por dentro e era como se fogos de artifícios estourassem dentro do meu coração.
Depois de muitas horas de espera, eu entrava no avião rumo à Gana. Além do sorriso no rosto, uma lágrima. Era de pura felicidade. Aterrissei em Accra, capital de Gana. Dessa vez, eu não vi riquezas materiais como em Joanesburgo. Eu vi um povo, com sangue nos olhos, lutando por sobrevivência. Pensei comigo: "This is Africa".
Outros já me olhavam como se eu fosse uma inimiga. Ainda assim, não tive medo. Pelo contrário, queria me aproximar, sentir aquele povo com toda a minha alma, me entregar.
Já na rodoviária para pegar um ônibus rumo ao vilarejo de Kwamo, presenciei uma cena que ainda hoje me tira o sono. Uma senhora vendia uma bacia larga com pilhas de morcegos fritos. Era madrugada, e ela provavelmente era a única pessoa ali com a qual se poderia conseguir comida.
Desesperadamente, um menino pagava a senhora com alguns cedis (a moeda do país), e retirava de sua bacia, um morcego. Do seu lado havia uma menina, com a qual ele dividia um pedaço da asa do mamífero.
De dentro do ônibus, eu observava atônita àquela cena, que se afastava cada vez mais do meu campo de visão na medida em que o ônibus partia para Kwamo. No caminho para o meu destino final, já sem comer há muito tempo, eu me sentia enjoada.
O ônibus balançava muito na estrada de terra cheia de buracos. Luzes coloridas dentro do veículo chamavam a minha atenção. Um espetáculo de cores quentes que dava vida ao meu sonho de mudar o mundo, até então, preto e branco.
Um tempo depois, as luzes se apagaram. Me lembrei das crianças na rodoviária dividindo um pedaço de asa de morcego quando, no Brasil, eu ainda desperdiçava comida. Olhei para o céu e comecei a rezar.
Há 10.000 km da minha zona de conforto, a sensação de liberdade tomava conta de todo o meu corpo. Os meus sonhos já não tinham mais limites, e eu desejava, mais do que tudo, lutar por aquele povo esquecido, de dores e sorrisos, de injustiças e sonhos.
A Lua iluminava toda a estrada e da janela do ônibus, eu pude ver, nitidamente, Gana. Como era lindo! Naquele momento, eu só queria pular fora dali e sair correndo por entre as matas das florestas daquele lugar, como uma verdadeira selvagem descobrindo os próprios sentidos.
Do meu lado, o presidente africano da ONG que representava o meu voluntário.
Seu nome é Nii, assim mesmo, com apenas uma sílaba. Alto, magro, voz grossa, traços fortes.
Havia algo diferente nele. Fixei meus olhos em seu rosto.
Só então percebi que sua pele brilhava como um diamante negro. Fascinante.
Percebendo que eu o observava, ele virou-se para mim e perguntou quais eram as minhas primeiras impressões do país.
Sem muito pensar, respondi: "Tudo é tão diferente". Subitamente, ele disse: "Com certeza, você está em outro país".
Voltei-me para a Lua e, emocionada, respondi: "Gana não é só outro país, Gana é outro mundo".
Fechei meus olhos e encostei minha cabeça sobre o ombro dele. Os fogos de artifícios voltaram a tomar conta do meu coração e, antes que eu adormecesse, Nii ainda disse: "Akwaaba". Sonolenta, perguntei o que isto significava. Baixinho, ele respondeu: "Seja bem-vinda".





.jpg)







Amei, amiga! Impressionante como vc sempre consegue se superar <3 parabéns pela iniciativa do blog, mas, como eu sempre gosto de ressaltar, parabéns pela sua coragem! Te amo <3 <3 <3 p.s: volta logo, porra. To com saudades
ResponderExcluirGenial - uma palavra que resume você e sua vida!
ResponderExcluirTenho Orgulho de você, e muitas vezes até inveja! Parabéns por tudo! Está colhendo os frutos que você merece. E merece simplesmente por ser assim: VOCÊ MESMA!
ps: gostei do título!
Está lindo sis!!! Consegui visualizar mentalmente seu sorriso, sua paixão e compaixão enquanto lia este post!! Estou ansiosa para o próximo!! Beijosss :)
ResponderExcluirEstou apaixonada pelos seus textos, pela sua história! Continue inspirando vidas! Estou ansiosa pelo próximo post! Arrasa!!!! <3 beijos
ResponderExcluirLinda linda, mil vezes linda! Vc eh mt especial. Te amo demais.
ResponderExcluirLindaaaa demais, cara! Você é muito especial e to muito inspirada com seu texto! Parabéns! Beijinhos
ResponderExcluir